Vale das Lendas

Loading...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015


OS CELTAS E AS ARVORES SAGRADAS



Azevinho


Para os celtas, o azevinho era considerado um dos reis das florestas. Ele reinava juntamente com "seu irmão", o rei carvalho, e partilhavam o mesmo trono, porém, cada um reinava a metade de um ciclo anual. 
Álamo 

Um dos mais conhecidos é o gênero "Populus Tremula". Ele possui este nome porque suas folhas tremem mesmo quando não parece haver vendo ou brisa .Os antigos celtas acreditavam que podiam ouvir o que os ventos  diziam através das folhas dos álamos, trazendo mensagens e profecias..

Da mesma forma que o Teixo, o álamo também está associado ao mundo subterrâneo. Ambos têm raízes invasivas que podem se tornar  muito profundas, daí a relação de ambos com o submundo.

Amoreira Silvestre

Ao contrário da amoreira comum aqui dos trópicos, do gênero "Morus", a amoreira silvestre, ou amora sarça, pertence a um outro tipo de gênero, que é o "Rubus". São muito parecidas, com frutos praticamente idênticos, porém, as amoreiras silvestres possuem espinhos, embora pequenos, em grande quantidade.

A videira, como a amoreira são muito semelhante, principalmente quando se trata na fabricação do vinho que era tão apreciado pelos celtas.

A amoreira, assim como a videira, apresenta os frutos em três estágios: verde, vermelho e preto. Estes estágios têm conexão com a deusa tríplice em suas três faces: donzela, mãe e anciã.


Amieiro

O amieiro muito utilizado pelos antigos celtas na fabricação de barcos.

Diziam que o amieiro era encantado e que podia jorrar sangue pois esta seiva era, por vezes, utilizadas por alguns herois para pintarem seus corpos antes de irem para as guerras. Eles acreditavam que o sangue do amieiro lhes traria proteção e vitória nas lutas.


Betula

Famosa pelo seu magnífico tronco, a Betula pendula, era uma das mais utilizadas nas práticas mágicas. Ela marca o início, por isso, o calendário celta das árvores se inicia com bétula, e era uma tradição a confecção de berços utilizando sua madeira. Diziam que assim as crianças estariam protegidas, já que se tratava de uma árvore mágica e poderosa que quebrava diversos feitiços. 

As vassouras eram feitas com cerdas de bétula e, ao varrerem as casas, acreditavam que estavam limpando o local das más energias e dos maus espíritos. Eram utilizadas também como cobertura nos telhados.
Também era chamada de "Deusa Árvore", ou,"Senhora dos Bosques". 
A casca fina, que se desprende facilmente da árvore, tem diversos usos e talvez seja por isso que ela esteja ligada à transformação, pois seu tronco está em constante renovação. 


Carvalho 
Conhecido como "O Rei das Florestas", Nos bosques de carvalhos, os celtas costumavam realizar seus rituais. A própria palavra "Druída" tem como tradução  "aquele que tem o conhecimento do Carvalho"


Giesta 

Trata-se de um arbusto de flores douradas, bastante. Ela é conhecida também como: "Vassoura de Bruxa".

De acordo com 'Graves', o Ogham que corresponde a esta espécie é o "ONN" e ele pode designar tanto a Giesta, como o Tojo (muito parecido com a giesta porém com muitos espinhos). 



Macieira
Muito comum nas cerimônias do Samhain,DEVEMOS  tomar a cidra de maçã para auxiliar nas viagens astrais e abrir as visões.


Salgueiro (Chorão)


É uma árvore que está intimamente ligada às bruxas, inclusive, a palavra "Witch" deriva de "Willow" (salgueiro em inglês). Está também ligada à Lua e a Água

Os celtas veneravam o salgueiro Para eles, esta árvore era considerada uma grande fonte de inspiração de sonhos, de poesia, de música e de encantamentos.

Na Irlanda, o salgueiro toma o seu lugar como uma das "sete árvores sagradas do bosque da Irlanda" - ao lado da bétula, da maçieira,  do amieiro, do azevinho, da aveleira e do carvalho (esta lista, de acordo com Robert Graves em seu livro " A Deusa Branca "). 



Sabugueiro

O Sabugueiro também é uma árvore associada às bruxas, de modo especial, às bruxas  mais velhas.

Na Europa Antiga, eram plantados nas frentes das casas para impedir a entrada de males e, nas tumbas, para protegerem os mortos. 




Sorveira
No Brasil ela é mais conhecida como 'Sorva' e é exatamente da mesma família da "Sorveira Brava" (Sorbus aucuparia), cultuada pelos celtas antigos, só que a espécie encontrada aqui é aSorbus domestica
Eram feitos incensos com suas folhas e frutos e, os celtas a tinham como uma árvore de proteção e era usada para quebrar encantamentos. 

Pinheiro

Venerado pelos celtas e associado ao nascimento. O Pinheiro também era considerado a árvore da vida, por estar sempre verde, mesmo sob um rigoroso inverno de gelo.

Está ligado à força, à esperança e à paciência. 

Pilriteiro

Também chamado de Espinheiro-branco, estava relacionado à proteção, tanto psíquica como espiritual e as fadas habitavam os fechados arbustos de Pilriteiro.




Teixo

O Teixo é uma árvore associada à morte ou à imortalidade. 
Os antigos celtas consideravam a sua madeira a melhor para se esculpir, por sua durabilidade e elasticidade


Aveleira
A aveleira muito comum naslendas celtas. Carregar um cajado de aveleira era um sinal de grande autoridade, e as varinhas de aveleira eram as favoritas para os rituais mágicos, 

A árvore está relacionada ao número nove, porque dá frutos após nove anos. Nove é o número da sabedoria e do conhecimento.



Brocéliande ou a "Floresta de Merlin".


Floresta da Brocelianda, Rennes, França - A Bretanha, no oeste da França, é uma região rica em lendas e mitos de magos, druidas e cavaleiros. Uma região ideal para receber a Floresta da Brocelianda, suposto palco das aventuras dos Cavaleiros da Távola Ronda e todas as lendas com o Rei Artur e o Mago Merlim
Foto: Pays Touristique de Brocéliande/Divulgação 



 Perto da fonte da eterna juventude, o túmulo de Merlin, resto de um dólmen, é ainda visível

Bretanha é uma região da França com fortes e antigas tradições. Os Bretões se mantiveram fora do domínio francês até 1532 e ainda mantém as crenças e costumes dos celtas, antigos habitantes da França.








Pays de Brocéliande  é um lugar mágico e encantado e uma das áreas mais místicas e legendárias da França. Trata-se de uma floresta que hoje abrange cerca de 7.000 hectares, onde se acredita que os Cavaleiros da Távola RedondaRedonda e o Rei Artur vagavam errantes a procura de um Castelo Mágico Invisível. Este local é conhecido comoFôret de Paimpont ou FôretdeBrocéliande...


A Tumba do Mago Merlim, um local dos antigos celtas, datado de 4000 ou 5000 anos, construído em função de correntes cósmicas. Acredita-se que o Mago Merlin foi enterrado neste local. 




 Há neste local uma fonte da juventudecuja água acredita-se apresentar poderes para curar doenças crônicas. Em épocas passadas, os antigos celtas construíram neste local um hospital e uma escola.



O Carvalho daGuilhotina (Chêne à Guillotin) é o maior carvalho da França, com 9,65 metros de circunferência, 20 metros de altura e uma idade deaproximadamente 1.000 anos. Recebe este nome estranho porque diz a lenda que os fugitivos da Revolução Francesa se abrigavam nele para fugir da guilhotina.




Para os celtas e seus sacerdotes denominados de druidas, o carvalho era uma árvore sagrada.
bibliotecadasbruxas.com

UM CONTO DE FADAS RUSSO: VASSILISSA, A BELA




Há poucos dias atrás postei o filme, hoje posto o conto "Vassilissa a Bela", um conto da tradição russa, dos mais conhecidos. Vassilissa já virou filme, teatro, desenho animado e inspirou, também, ao lado de outros contos tradicionais, inclusive alguns de Pushkin,o pintor russo Ivan Yakovlevich Bilibin a fazer maravilhosas ilustrações, nas quais ele reflete o encantamento dos motivos temáticos da criação popular russa. Neste conto você verá surgir Baba Yaga, motivo de post anterior. Ela surge, aqui, com seu lado perverso, mas que no fim, ajuda a heroína a ir embora.Ele possui, também, a religiosidade russa latente: Vassilissa faz o nome do Pai, Vassilissa tem fé! Sua boneca "mágica" a aconselha a rezar e... "vsio budet khorosho"(tudo ficará bem)... 

Phoca Gallery

"Há muitos e muitos anos vivia, num reino longínquo, um mercador. durante doze anos viveu com a mulher, mas só teve uma filha, chamada Vassilissa.

Teria a menina seus oito anos, quando a mãe adoeceu gravemente. Porém, antes de morrer, chamou a filha e disse-lhe:
_ Sinto que os meus dias estão prestes a se acabar mas, antes de fechar os olhos, ainda tenho uma tarefa a cumprir. Com a minha benção, deixo-te uma boneca. Nunca te separes dela, pois tem o poder de resolver muitos problemas e um dia ainda te há de ser útil.
Em seguida, deu-lhe a boneca, beijou-a na testa e fechou os olhos. 
O mercador sofreu muito com a morte da mulher, até que um dia resolveu se casar novamente. Tomou como esposa uma viúva, experiente dona de casa e mãe de duas meninas da mesma idade de Vassilissa. Mas, ai dele, bem depressa a mulher demonstrou ser malvada e as filhas não o eram menos.
Como Vassilissa era muito bonita e gentil, entregavam-lhe os trabalhos mais pesados, na esperança de que ela perdesse sua beleza. Mas, pelo contrário, ela crescia cada vez mais bonita e saudável. Nunca se cansava e obedecia de modo exemplar. Como isto era possível? 

É fácil. A boneca que a mãe lhe tinha dado ajudava-a muito porque gostava de sua pequena dona.Todas as noites, antes de se deitar, Vassilissa levava-lhe alguma comida e dizia-lhe:
_ Querida bonequinha, come que te faz bem e ouve a minhas penas. Sou criada em casa de meu pai. A madrasta e as minhas meias-irmãs nem me deixam tomar fôlego. Como me devo comportar?
Depois de ter comido, a bonequinha sossegava-se e garantia-lhe que, na manhã seguinte, o trabalho estaria todo feito. 

E como por magia, enquanto Vassilissa descansava, o jardim ficava limpo de ervas daninhas, a casa arrumada e o fogo crepitava no fogão. 
Os anos passaram e Vassilissa tornou-se uma linda jovem casadoira. Os mais garbosos rapazes da aldeia queriam-na para esposa, enquanto as filhas da madrasta não recebiam sequer um segundo de atenção. Por isso, a todos que vinham pedir a mão de Vassilissa, a madrasta respondia irritada:
-Primeiro terão que se casar as mais velhas e só depois aquela miserável. 
Ora, um dia o pai de Vassilissa teve de ir para longínquas terras, a negócios. A madrasta aproveitou logo a ocasião para mudar da casa da aldeia para uma modesta casinha a entrada do bosque. 
Bem no meio do mesmo bosque vivia a bruxa Baba Yaga, uma feiticeira malvada e irascível.
Na casa nova a vida de Vassilissa não se modificou. A madrasta encontrava sempre um motivo para manda-la ao bosque, na esperança de que a menina se perdesse. Contudo, com a ajuda da bonequinha, Vassilissa regressava sempre, sã e salva. 
A madrasta e as meias-irmãs tentaram se livrar de Vassilissa muitas e muitas vezes; porém, a menina, que tinha bom coração e muita paciência, voltava sempre sorridente. Esperava que, com seu sorriso, conseguisse fazer as três mulheres se arrependerem das suas maldades. Tudo em vão!

Chegou o outono, pesado e frio, e a madrasta distribuía pelas três jovens os trabalhos que se fazem lentamente ao serão, ao canto da lareira, enquanto se fala cem voz baixa. Uma fazia renda, outra tricotava e Vassilissa fiava. 
Certa noite, a madrasta apagou as luzes e foi se deitar, deixando uma vela acesa para as três meninas. Em breve, porém, a pequena chama começou a tremer e uma das meias-irmãs, em vez de endireitar o pavio, apagou a vela, dizendo que já tinha acabado. A escuridão envolveu a casa e um pesado silêncio desceu sobre as três jovens.
_ que pouca sorte! _ exclamou a mais velha. _ Logo agora que eu já estava quase terminando!
_ Realmente, que azar! _ acrescentou a segunda. _ Mais um par de malhas e tinha acabado!
_ Agora me lembro que não há mais velas em casa _ disse a primeira. _ A mamãe não teve tempo de ir à aldeia comprar, coitada. Com tanta coisa que há para fazer em casa! E agora?
_Proponho que se vá pedir lume è bruxa Baba Yaga, sugeriu a segunda.
+ Para mim, basta-me a luz que vem da agulha de crochet, desculpou-se a primeira.
_ Para mim também _ fez coro a segunda _ as agulhas de tricot dão luz suficiente! 
Nem foi preciso arrumar mais argumentos! Vassilissa viu-se obrigada a entrar no bosque, para ir a casa da malvada bruxa. Porém, antes de sair, foi ao seu quartinho, deu de comer à sua boneca e disse-lhe:
_ Querida bonequinha, come que te faz bem e ouve as minhas penas! As minhas meias-irmãs mandaram-me ir a casa da bruxa e ela vai me comer, com absoluta certeza.
Então, a bonequinha respondeu:
_ Não tenhas medo, minha amiguinha. Vai ao bosque e leva-me contigo. Verás que nada te pode acontecer.
Vassilissa encheu-se de coragem, fez o sinal da cruz e entrou no bosque.
Mal tinha começado a andar e encontrou um cavaleiro: era todo branco, se vestia de branco e montava um cavalo branco. A visão foi fugaz e o cavaleiro desapareceu. 
As luzes da manhã começaram a clarear o céu. Vassilissa caminhou durante o dia inteiro, até que, à noite, chegando próximo a uma clareira, viu um segundo cavaleiro: era completamente vermelho, se vestia de vermelho e montava um cavalo vermelho. No céu surgiu o sol. 
Vassilissa começou a andar mais depressa e, para matar a fome, foi comendo algumas frutas silvestres. Finalmente, ao por do sol do terceiro dia, cehgou à casa de Baba Yaga. 
A casa era rodeada por uma paliçada feita de ossos humanos, nos quais haviam sido espetadas caveiras com olhos enormes. Duas tíbias(1) eram a tranca da porta da frente e maxilares com dentes afiados faziam as vezes de fechaduras. Vassilissa encheu-se de medo. De repente, apareceu um terceiro cavaleiro: era completamente negro. A noite descera, vestia negro e montava um cavalo negro.
A noite descera no bosque.Vassilissa ficou imóvel e, exatamente quando perguntava a si mesma o que fazer, ouviu-se um estalido entre as folhas. Do bosque saiu a malvada Baba Yaga. Viajava dentro de seu almofariz e segurava na mão o pilão e uma vassoura. 
Cheira por aqui à carne humana! - suspeitou a terrível bruxa. 
Vassilissa estava tão aterrorizada que se sentiu desmaiar. Tudo em volta era sinistro e Baba Yaga tinha um ar ameaçador. Mas resolveu encher-se de coragem. Já que ali estava, pelo menos ia tentar a sorte e pedir ajuda àquela terrível bruxa. Assim, aproximou-se da velha, inclinou-se e disse: 
_ Olá, avozinha! As minhas irmãs mandaram-me vir ter contigo, para te pedir lume. 
_ Conheço muito bem as três mulheres que vivem à entrada do bosque. Dou-te o fogo se ficares a viver comigo durante algum tempo. Dar-me-ás uma ajuda na lida da casa. Senão, como-te! - Depois voltou-se para a casa e ordenou: 
- Abre-te, poderosa cancela! A dona da casa chegou! 
A cancela se abriu rangendo e Baba Yaga entrou a assobiar. 
Uma vez la dentro, a bruxa disse à Vassilissa: 
- Abre o forno e traz-me tudo o que lá está para eu comer! 
A comida que havia lá dentro dava para matar a fome a uma família inteira. Baba Yaga comeu e bebeu avidamente e só deu a Vassilissa um prato de sopa e um naco de pão. Terminado o jantar, a bruxa preparou-se para ir para a cama. Antes, porém, deu suas ordens para o dia seguinte: 
_ Ouve, pequena. Amanhã saio cedo. Trata de arrumar a casa! Varre o chão, prepara-me o jantar e tira um tabuleiro de grão da masseira. Lava-o e vê se tens tudo pronto antes de eu voltar. 
Vassilissa sentiu o coração ficar apertado. Foi para a cama, deu de comer à boneca e disse-lhe: 
_ Querida bonequinha, come que te faz bem e ouve as minhas penas. Como vou tratar sozinha da casa inteira até a noite? 
_ A bonequinha respondeu: 
_ Não tenhas medo, Vassilissa. Reza e vai deitar-te. Verás que amanhã encontraremos uma solução. 

Ao ficar sozinha, o desalento se apoderou de Vassilissa mas, no momento em que se preparava para começar seu trabalho, deu conta que a casa estava em perfeita ordem e que até o grão já estava lavado. A bonequinha pensara em tudo e a jovem, contente, descobriu de novo o sorriso. 
_Minha querida, és a minha salvação - disse Vassilissa. _ Agora só falta preparar o jantar. 
Ao dizer isto, começou, muito animada, a preparar um abundante banquete para a bruxa que, além de meter medo, tinha um apetite de dragão. Carne, legumes, doces e outras iguarias foram preparados para a velha. 
À noite, Vassilissa pôs a mesa e esperou pela bruxa. Quando ela chegou, no bosque já tinha aparecido o cavaleiro negro e já era noite cerrada. Entrou em casa e perguntou severamente: 
_ Foi tudo feito? 
_ Vê com os teus próprios olhos - respondeu a jovem. 
Quando viu que a casa já estava bem limpa e arrumada, a velha se irritou e gritou: 
_ Fiéis servidores, tragam-me um alqueire de grão! _ e voltando para a menina: _Vês este grão? Exijo que amanhã a noite esteja limpo de todas as sementes de papoula que tem dentro. Senão, como-te. 
Dito isto, a velha jantou e deitou-se. Mais uma vez Vassilissa se dirigiu à sua fiel boneca, que a aconselhou a não se preocupar, pois tudo correria muito bem. 
Vassilissa já se havia acostumado ao temperamento da feiticeira. Deitou-se um pouco mais calma, pensando no rosto doce de sua querida mãe e na preciosa ajuda da sua fiel bonequinha. Cansada do dia que tivera, fechou os olhos e adormeceu. 
No dia seguinte a velha saiu e, num abrir e fechar de olhos, o grão ficou limpo de todas as sementes de papoula. Nem é preciso dizer como ficou Baba Yaga quando, ao regressar, viu o trabalho tão bem feito. Fingindo-se satisfeita, a velha sentou-se para jantar, enquanto Vassilissa ficava de pé, em silêncio. 
_ Porque não falas? _ perguntou a certa altura a velha.
_ Tenho algumas perguntas a fazer _ disse a menina _ Quando vim ter contigo, apareceu no bosque um cavaleiro todo branco, montado num cavalo branco. Quem era? 
_ O que viste foi o dia luminoso _ respondeu Baba Yaga com a voz bem afável. 
Enquanto conversavam, a bruxa comia e bebia avidamente e, entre uma garfada e um trago de vinho, lançava um olhar à jovem. Mas Vassilissa já não tinha medo e, com os seus lindos olhos, sustentava o olhar da bruxa. Depois de um longo silêncio, que lhe pareceu interminável, a menina continuou: 
_ Vi um segundo cavaleiro. Era vermelho e montava um cavalo vermelho. Quem era? 
_ O que viste foi o sol radioso _ respondeu Baba Yaga. 
_ Também vi um cavaleiro todo negro, montado num cavalo negro. Diz-me, quem era? 
_ O terceiro cavaleiro _ tornou-lhe a velha com voz rouca _ é a noite tenebrosa. São os três meus servidores mais fiéis. 

Vassilissa ficou satisfeita com as respostas.
_ Mas agora deixa que te pergunte _ disse Baba Yaga _ Como consegues levar a cabo com tanta perfeição os trabalhos que te mando fazer?
_ A força que tenho vemê da benção da minha mãe _ respondeu Vassilissa.
_ Se é assim _ enfureceu-se Baba Yaga, _ sai da minha casa! Não quero gente abençoada ao pé de mim!
Dizendo isto, expulsou-a para o pátio, deu-lhe uma caveira com uma vela lá dentro e mandou-a embora:
_ Aqui tens o lume que pediste. Agora desaparece! 
Vassilissa correu pelo bosque com quantas forças tinha, mas só chegou em casa na noite do dia seguinte. Por um momento pensou em ficar só com a vela e jogar fora a caveira, mas uma voz lhe pediu: 
_ Não me jogues fora! Leva-me para a casa de tua madrasta e das tuas meias-irmãs. 
Quando Vassilissa chegou em casa, as três mulheres receberam-na com todo o tipo de lisonjas, fingindo-se muito felizes por ve-la novamente. 

Vassilissa deu-lhes o lume, mas as pequenas chamas que saltavam da caveira assustavam-nas tanto, que nem ousavam olhar para ela. 
_ Como nós pensamos em ti! _dizia a falsa madrasta. _ Estávamos com tanto medo de que Baba Yaga te tivesse feito uma bruxaria e que nunca mais pudesses voltar! 
_ É verdade _ acrescentavam as irmãs em coro _ já tínhamos decidido mandar um guarda à tua procura, mas felizmente voltaste. 

Vassilissa nem queria acreditar no que ouvia! Seria possível que aquelas mulheres tivessem mudado tanto em tão pouco tempo? 
Enganava-se. A madrasta e as suas meias-irmãs só tinham medo das chaminhas que saíam da caveira e pensavam que Vassilissa ia se servir dela para lhes fazer mal. 
A menina, porém, como era boa, pôs-lhes a caveira no quarto, para que fossem elas a ficar com luz de noite. Na manhã seguinte, quando acordou, viu, com espanto, que a madrasta e as meias-irmãs tinham desaparecido: a chama da caveira reduzira-as a cinzas. 

Sozinha à espera do pai, a menina mudou-se para outra terra onde uma velhinha caridosa a acolheu. Para ganhar a vida Vassilissa começou a fiar linho, mas, quando chegou o inverno, já tinha acumulado tanto fio que nem sabia o que fazer com todo aquele linho. Por isso, pediu conselho à bonequinha, que lhe disse: 
_ Traz-me um tear velho e crinas de cavalo, do resto trato eu. 
A jovem seguiu estas indicações e, como por encanto, na manhã seguinte encontrou na sua cama um tecido tão belo e tão fino que podia flutuar, de tão leve, como uma pluma. 

Na primavera, Vassilissa disse à velhinha: 
_Avó, vende o tecido e guarda o dinheiro para ti. 
_ E quem haveria de comprar um tecido tão precioso? Só o czar o poderia vestir! Vou levá-lo à corte _ decidiu. 
Dito isto, a velhinha dirigiu-se ao palácio onde foi recebida pessoalmente pelo czar. Ficou deslumbrada com a beleza do palácio. À sua volta tudo era tão luxuoso! A princípio, sentiu-se assustada, mas depois, com alguma coragem, aproximou-se do czar e fez-lhe uma grande reverência e lhe mostrou o precioso tecido. 
O soberano ficou surpreendido com tamanha beleza.
_ Este tecido é maravilhoso! _ exclamou o rei. _ Compro-te e, em troca, dar-te-ei muitos presentes. 
E assim o fez. Deu à velha uma grande quantia em dinheiro e vários objetos de valor. Depois, chamou ao palácio os melhores alfaiates do reino para que lhe fizessem doze camisas. Tudo se passou com grande rapidez. Os alfaiates chegaram logo, porém ao verem o tecido, nenhum ousou começar o trabalho. Eram indispensáveis as mãos delicadas da mais hábil costureira. 
Então, o czar mandou chamar a velhinha. 
_ Só tu mostraste tal habilidade que poderias fazer minhas camisas _ disse o czar. 
_ Saberá Vossa Majestade que o mérito não é meu. É da pobre menina que vive comigo _ respondeu a velhinha. 
_ Neste caso, que coza ela! _ Concluiu o soberano. 
A velhinha despediu-se e voltou para casa. 
Vassilissa meteu mãos à obra e dentro de pouco tempo tinha feito uma dúzia de lindíssimas camisas. Quando ficaram prontas, dirigiram-se as duas para o palácio. A garota esperou na carruagem, com a bonequinha no colo. Parecendo-lhe que não havia meio de o tempo passar, lembrou-se da mãe. Foi então que viu a velhinha ir ter com ela. 
_ Sua Majestade deseja conhecer a jovem cujas delicadas mãos lhe souberam fazer as camisas _ disse ela, comovida. 
Mal chegou á presença do czar, este enamorou-se logo dela. 
_ A tua beleza só tem igual nos teus modos gentis _ elogiou o soberano, que, pouco depois, se casava com ela, com grande pompa. 

Por fim, regressou o pai da noiva que, feliz com a sorte que a filha tivera, aceitou viver com ela e com a velhinha no palácio. Viveram todos muito felizes e Vassilissa nunca mais se separou de sua boneca. 
russiashow.com 


A Bruxa do Bosque; História  de
Anderson de Andrade

A história que vou contar a seguir se passou comigo durante o Caminho de Santiago, no ano de 1999 (Ano Santo Compostelano), específicamente no dia 22 de junho.

Vinha eu com um grupo de peregrinos, e já há alguns dias caminhávamos juntos.

Quando chegamos em Samos (pequena vila), fomos comer alguma coisa em um Bar, lá vi um cartaz que dizia que na próxima cidade, Sarria, haveria uma tourada daí dois dias, comentei com o grupo que ficaria na cidade para ver a tal tourada.

Por motivo religioso ou cultural, não aprovavam as touradas e decidiram seguir à diante.

Fiquei sozinho em um hotelzinho simples em Sarria, para ver a famosa tourada ou "corrida de toros" como os espanhóis a chamam.

Depois da tourada teria que caminhar até Portomarín sozinho, foi o que aconteceu, neste dia senti muita falta daquele grupo de peregrinos, e vi que caminhar sozinho também pode ser muito chato.

Cheguei em Portomarín à tarde, mas havia decidido que no outro dia bem cedinho, seria o primeiro a sair do albergue, para fazer dois dias de percusso em um, para poder conseguir alcançar o grupo de colegas peregrinos.

Fui o primeiro a ir dormir e também o primeiro a levantar, eram 5:30 da manhã, e o albergue todo ainda dormia, levantei sem fazer barulho, e às 5:45 já estava caminhando nas ruas de pedra de Portomarín.

Havia uma cerração no ar, para ajudar havia aquelas luzes amarelas dos postes que mal iluminavam os próprios postes, o que deixava o povoado com um clima de cidade fantasma.

Para quem fez o caminho sabe que, saindo de Portomarín, você atravessa um longa ponte sobre o Rio Miño, para depois entrar em um grande e fechado bosque.

Não eram 6:00 horas ainda quando entrei no bosque escuro e gelado, se na cidade a visão era limitada pela pouca luz, no bosque era um breu quase que total.

Conseguia enxergar o caminho até uns dois metros na minha frente e nada mais, o resto era só deduções.

Depois de uns 10 minutos dentro do bosque, a luz matutina resolveu dar o ar de sua graça, mas ainda assim, continuava um pouco escuro, por ser um bosque fechado, a luz pouco penetrava.

Quando que subitamente vejo entre às árvores uma velha senhora baixinha, não se tratava de peregrina, pois não levava mochila, tampouco camponesa, pois nada justificava sua permanência ali parada e sem ferramenta alguma.

Eu disse para a senhora: 

- Buenos Dias, Señora.
Mas ela nada respondeu, quando eu já estava uns 30 metros à diante, ela disse:
- Bueno camino, peregrino. ( que chegou a dar um pouco de eco dentro do gelado bosque ).

Não sei porquê, resolvi olhar para trás, não sei se era o escuro dentro do bosque e não se conseguia ver muita coisa, mas a velha senhora já não estava mais ali.



Quando cheguei no próximo albergue, comentei com um grupo de espanhóis o que tinha me acontecido, e eles me disseram que os Galegos chamam este bosque de "El bosque de la Meiga", e eu perguntei o que significava e eles disseram: - O bosque da bruxa.

Coincidência ou não esse fato se passou na Galícia, região onde viveram os Celtas, povos nômades, que se estabeleceram na Escócia, Irlanda e no noroeste da Espanha.

Os Celtas eram muito ligados com a força da natureza e com o poder da mente humana; O que chamamos de magia, era parte integral do seu sistema de crenças.

E para quem acredita, as Florestas Irlandesas e Escocesas, são os lugares onde vivem os duendes, druídas e agora as bruxas, e coisas desse gênero. caminhodesantiago.com.br