Vale das Lendas

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Por que Elfos e Anões se Odeiam


      O curioso fato de o portão de Moria ter inscrições em élfico mostra que nem sempre os Anões foram inimigos dos Elfos, muito pelo contrário: os famosos portões de Moria eram a principal forma de acesso dos elfos que vinham do Oeste para visitar os salões de pedra, mas como toda essa amizade chegou ao fim tem explicações em fatos tão antigos quanto a própria Moria:
       O primeiro passo dessa rixa começou antes que as duas raças andassem pela terra: Eru Ilúvatar, o deus supremo da Terra-Média, esperava o momento propício para despertar suas criações, os Elfos e Homens, porém o poderoso artificie Aulë, impaciente com a demora de Eru em despertar os seres, decidiu criar sua própria raça. Muito mais brutos e resistentes, os anões foram feitos muito diferentes dos filhos de Ilúvatar para melhor enfrentarem Morgoth, o antigo mestre de Sauron, sendo assim fazer amizades não foi uma habilidade pensada por Aulë. Descobrindo sua criação, Eru censurou Aulë, mas acabou permitindo a existência dos Anões, recusando-se, no entanto, a consertar qualquer erro que Aulë pudesse ter cometido quando criou os Anões: 
“Muitas vezes haverá discórdia entre os teus e os meus, os filhos de minha adoção (anões) e os de minha escolha (elfos e homens).”
(Silmarillion, "De Aulë e Yavanna", pg. 41)
       Despertados, os Elfos foram convidados a ir para Valinor, a terra abençoada pelos Valar, mas o elfo Elwë permaneceu e nas cavernas de Menegroth ele fundou seu reino onde muitos outros de sua raça vieram a morar. Conhecendo os anões, Elwë os contratou para que construíssem e ornamentassem os salões de Mengroth, pois os Elfos admiravam a habilidade dos Anões e a beleza do reino de Thingol, como Elwë passou a ser chamado, tornou-se célebre. Essa parceria iniciou o comercio entre os anões e os Elfos da Terra-Média e tanto era o respeito e harmonia entre as raças na Primeira Era que o elfo Finrod decidiu construir uma fortaleza à imagem de Menegroth, novamente contando com o trabalho dos Anões de Belegost e Nogrod, mas mesmo essa relação sendo nutrida por uma grande admiração mútua, as suas diferenças nunca eram esquecidas, como quando o elfo Caranthir encontrou os anões pela primeira vez:
“E foi assim que o povo de Caranthir deparou com os anões, que, depois do violento ataque de Morgoth e da chegada dos noldor, haviam parado de comercializar em Beleriand. Entretanto, embora os dois povos gostassem dos trabalhos habilidosos e sentissem muita vontade de aprender, não havia grande amor entre eles. Pois os anões eram reservados e suscetíveis, e Caranthir era arrogante e mal disfarçava seu desdém pela falta de beleza dos naugrim, exemplo seguido por seu povo.”
(Silmarillion, "Da Volta dos Noldor", pg. 136)
       Mas até então a relação entre Elfos e Anões mantinha-se saudável até a inimaginável tragédia pelo Colar dos Anões, tida como a principal causa da desavença estre as duas raças:
O Nauglamír por Ted Nasmith
      O Nauglamír, o “Colar dos Anões”, foi feito no início da Primeira Era pelos Anões de Belegost e Nogrod para o príncipe élfico Finrod, usando as joias que ele trouxe consigo de Valinor. Depois de sua morte e queda do reino de Norgothrond, o colar foi encontrado pelo amaldiçoado Húrin e levado ao rei de Doriath, o elfo Thingol, dando início a grande tragédia associada ao colar Nauglamír.
Ruínas de Doriath
     Thingol possuía uma das Silmarils, jóias criadas para armazenar a luz da criação dos Deuses que iluminaram a terra nos Dias Antigos e muito cobiçadas tanto por Elfos quanto pelo Senhor do Escuro. Ao receber o magnífico colar Nauglamír das mãos de Húrin, Thingol não pensou duas vezes e pediu aos artíficies de Nogrod que refizessem o colar engastando nele a preciosa Silmaril. Vendo o belo trabalho de seus antepassados e a brilhante joia, os Anões as cobiçaram, mas concordaram em realizar o trabalho sem dizer palavra sobre isso. Terminado o colar, os Anões usaram pretextos para se apoderar do Nauglamír, ao que o rei Thingol recusou com palavras de desprezo, sendo assassinado ali mesmo. Os anões foram abatidos antes que pudesse tomar muita distância de Doriath, sendo o Nauglamír recuperado, no entanto dois dos assassinos de Thingol conseguiram escapar e, mentindo que não teriam sido pagos por seu trabalho, trouxeram de volta consigo um grande exército de Anões de Nogrod.
Legolas e Gimli rumo as Terras Imortais, por Ted Nasmish
     Os Anões adentraram Doriath com facilidade e houve um banho de sangue entre Elfos e Anões com grandes perdas de ambos lados e o rancor desse fato jamais foi esquecido. Vitoriosos, os Anões retornavam para as montanhas com grandes tesouros saqueados dos Elfos quando foram surpreendidos pelo humano Beren que venceu os usurpadores e arrancou o Nauglamír das mãos do próprio senhor de Nogrod, porém o rei anão amaldiçoara todo o tesouro antes da morte acomete-lo. Assim, todas as riquezas confiscadas foram jogadas ao rio Ascar, exceto pelo Colar dos Anões que retornou aos Elfos. Devido a grande cobiça em torno da joia, a meia-elfa Elwing atirou-se no mar com o Nauglamír. O vala Ulmo salvou Elwing e a Silmaril, mas o colar perdeu-se no oceano para sempre sem que seu fim terminasse com o conflito entre Elfos e Anões que somente abrandou-se com esforços de Gimli e Legolas. Tanto é verdade que após a Guerra do Anél, Gimli foi o único anão a ter permissão para viajar até as Terras Imortais – onde somente os Elfos poderiam ir.felipeessy.com

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